Mães em Luta realizam confraternização de Natal 2025 para acolher famílias de pessoas desaparecidas
No coração da capital paulista, o Natal ganhou um significado de resistência e acolhimento. O coletivo Mães em Luta realizou, nesta sexta (dia 19), a Confraternização de Natal 2025. O evento contou com mães e familiares de pessoas desaparecidas para um momento de união e fortalecimento, combatendo o isolamento que costuma acompanhar as festas de fim de ano.
O Desafio da Cadeira Vazia
Para quem busca um ente querido, essa energia natalina intensifica a dor da ausência. Desse modo, a iniciativa busca transformar esse sentimento em apoio mútuo. À frente do movimento está Vera Lúcia Ranu, dirigindo uma das principais referências nacionais frente aos desaparecidos e mãe de Fabiana Renata Gonçalves, desaparecida há 33 anos.
Solidariedade e Pertencimento“Organizamos esse encontro para tirar as mães do foco da dor, da solidão e do sofrimento. É um momento de lazer e acolhimento para que, por algumas horas, elas consigam respirar e se sentir amparadas”, explica Vera.
A programação contou com jantar, e com um bolo decorado ás Mães em Luta. E o esforço para comparecer foi notável: alguns participantes vieram diretamente de consultas médicas para garantir presença no encontro.
Segundo ela, o objetivo central é combater a invisibilidade do desaparecimento, um problema social que muitas vezes é negligenciado pelo poder público, sobrecarregando as famílias.
Principais pilares do encontro, está na troca de experiências sobre os desafios burocráticos e emocionais., com o incentivo para que as mães celebrem com os familiares presentes, mantendo a memória dos ausentes viva.
Um Apelo contra a InvisibilidadeVera Lúcia ressalta que o desaparecimento pode atingir qualquer pessoa e envolve conflitos sociais profundos. "A maior parte da luta acaba recaindo sobre as mães, que persistem, adoecem e seguem buscando respostas", pontua a coordenadora.
Ao final do encontro, a mensagem foi de esperança e coletividade. Vera reforçou que, apesar da lacuna deixada pela ausência dos filhos, o coletivo funciona como uma rede de proteção: “Nós estamos juntas. Nenhuma mãe está sozinha. Seguimos como uma família, caminhando juntas”.
